O mercado fecha em:

Como deveria funcionar o banco de reservas do Cartola FC?

Confirmado: o Cartola FC 2021 terá banco de reservas. Mas como irá funcionar de fato? Quantos reservas serão escalados? Vai interferir na quantidade de Cartoletas? Neste post você vai encontrar uma sugestão de um formato de banco ideal.

Postado em: 12 de abril de 2020
Atualização: 13 de março de 2021
Autor:
Tempo de leitura: 12 minutos

Saaalve, Salve Mitos e Mitas do Mix!

Devido ao calendário do futebol brasileiro possuir tantos jogos num curto intervalo de tempo, está cada vez mais comum ver um treinador deixando para confirmar a escalação momentos antes da partida.

O problema é que, a essa altura, o mercado do Cartola FC já está fechado, não sendo possível realizar mudanças no seu time. Dessa forma, mais e mais Cartoleiros vem tendo a péssima experiência em algumas rodadas de escalar um jogador que não jogou.

A frustração de não ver o seu jogador em campo após dedicar boa parte do seu tempo para definir o seu time é imensa. Sem contar o prejuízo de ter a pontuação desse jogador zerada. Pior ainda é quando se trata de um jogador caro que comprometeu o seu patrimônio, fazendo com que você tivesse que escalar jogadores mais baratos em outras posições.

É aí que surge a pergunta: o Cartola FC deveria ter banco de reservas?

Banco de reservas no Cartola FC

Após a maioria dos cartoleiros terem se mostrado a favor do banco de reservas, a equipe do Cartola FC finalmente decidiu implementar a funcionalidade e já confirmou que o Cartola FC 2021 terá banco de reservas.

Mas como irá funcionar de fato? Quantos reservas poderão ser escalados? Vai interferir nas cartoletas? Quantas substituições poderão ser feitas?

A equipe do Cartola FC prometeu dar mais informações sobre essa novidade em Abril. A ideia do banco tem muito potencial, e a depender da forma como será implementado, poderá mudar bastante a dinâmica do jogo.

Jogo cartola há 13 anos consecutivos, tenho 494 rodadas na bagagem, e, pessoalmente, sou a favor do banco de reservas.

No ano passado, em 2020, escrevi sobre o formato de banco que considero ideal. Continue a leitura para conferir a minha sugestão.

O banco de reservas diminui o fator sorte

Vamos começar pensando sobre o conceito do Cartola FC: obter a melhor pontuação possível escalando qualquer jogador da Série A e respeitando os esquemas táticos existentes. É um game que envolve sorte e competência.

O cartoleiro competente pesquisa sobre as equipes e estuda as escalações prováveis. O cartoleiro sortudo nem perde tempo com isso, ele apenas escala os jogadores prováveis do mercado.

Por isso, muita gente que é contra o banco de reservas defende que o mesmo irá favorecer os cartoleiros sortudos. Mas isso depende do formato do banco de reservas e, da forma que eu idealizo, o banco irá favorecer os cartoleiros competentes, sem contar que, atualmente, a sua ausência aumenta o peso do fator sorte na equação do game.

Não se deu por convencido? Então vamos à um exemplo prático. 5 de outubro de 2019. Rodada 23. Faltando pouco para o mercado fechar, saiu a notícia de que Bruno Henrique não treinou e virou dúvida para a partida contra a Chapecoense.

O que o cartoleiro competente fez? Alguns decidiram manter Bruno Henrique, mas foram precavidos e tiraram a faixa de capitão dele. Outros não quiseram arriscar e tiraram Bruno Henrique do time.

O que o cartoleiro sortudo fez? Nada, pois ele nem viu a notícia. Resultado: Bruno Henrique não só jogou, como fez 17,70 pontos e foi o maior pontuador da rodada.

Ou seja, vários cartoleiros competentes foram prejudicados, enquanto que os cartoleiros sortudos se deram bem!

Exemplos como esse estão acontecendo com uma frequência cada vez maior. Qual o mérito que você tem em deixar ou tirar o jogador? Você se baseia 100% na sua intuição.

Começa a se colocar nos sapatos do técnico, começa a pensar o que você faria se estivesse à frente do comando da equipe. Mas a não ser que você tenha o número dele (Alô Caio Ribeiro), é impossível saber se o jogador irá jogar ou não.

No fundo todos querem escalar aquele jogador que é dúvida como primeira opção. Enquanto alguns vão arriscar e deixá-lo no time, outros vão arriscar e escalar uma segunda opção. E é nesse momento, meus amigos, que o fator sorte tem mais peso do que o fator competência.

Portanto, baseado no exposto, reafirmo que o Cartola FC deveria ter Banco de Reservas, e que esse favoreceria os cartoleiros que levam o game a sério. Agora, a pergunta que não quer calar:

O número de jogadores ideal para se escalar no banco de reservas

Em 2018, quando participei do lançamento do Cartola FC na Globo, houve um debate sobre o banco de reservas e, das pessoas que estavam na sala, a maioria era a favor.

Na ocasião, eu pedi a palavra e expressei a minha opinião do formato que na época considerava ideal para o banco de reservas. Porém, de lá pra cá, pensei mais sobre o assunto e tive uma ideia mais completa. Você pode conferir o que falei em 2018 na Globo no vídeo abaixo (a partir de 1:23) ou pode continuar a leitura para saber qual é a minha ideia atual.

Como já disse anteriormente, jogo cartola há 12 anos consecutivos e me considero parte do grupo dos cartoleiros competentes. Caso você também faça parte desse grupo, te desafio a me responder a seguinte pergunta:

Quantas vezes você já escalou um time no qual um jogador não jogou?

Aposto que isso deve ter acontecido algumas vezes com você, e com certeza você tem lembranças amargas de casos em que te custaram o título da sua liga.

Agora vou mudar a pergunta. Preste bastante atenção:

Quantas vezes você já escalou um time no qual 2 jogadores não jogaram? E 3 desfalques? E 4? E 5?

A não ser que você tenha esquecido de escalar o time (o que, à propósito, é um erro juvenil), provavelmente você deve conseguir contar nos dedos a quantidade de vezes que isso aconteceu.

O Cartola FC é um game que exige comprometimento e, se você é um dos cartoleiros que leva o game a sério, você pesquisa sobre as escalações, evitando ter desfalques no seu time.

No meu caso, com 456 rodadas na bagagem, devo ter tido 2 desfalques no meu time em umas 3 rodadas, e NUNCA tive mais de 2 desfalques no meu time.

Dessa forma, concluímos que a maior dor de um cartoleiro competente é escalar um time no qual 1 jogador não joga. Isso tem ocorrido cada vez mais.

Porém, é preciso entender que existem 2 tipos de desfalques. Existe aquele caso em que o jogador virou dúvida e ninguém sabe se vai jogar ou não, e existe o caso inesperado, no qual acontece um imprevisto momentos antes da partida (jogador se machuca no aquecimento, tem dor de barriga ou algum imprevisto familiar).

Portanto, levando isso em consideração, na minha opinião, o esquema mais justo é ter um banco de reservas que faça, no máximo, 2 substituições na rodada. Assim, você estaria protegido no caso de um jogador que é dúvida e também no caso em que acontecer um imprevisto.

Como deveria funcionar o banco de reservas

Se você já viu a imagem acima, significa que você é um cartoleiro veterano. Antigamente, existia uma funcionalidade opcional chamada “Assistente técnico”. Como funcionava?

Para cada posição, você selecionava 3 times por ordem de preferência. Caso 1 jogador daquela posição não estivesse como provável na hora do mercado fechar, o assistente técnico tentava substituir esse jogador por um jogador do seu primeiro time de preferência. Caso ele não conseguisse, tentava o segundo time e, por último, o terceiro time. Se não conseguisse em nenhum dos 3, ele escalava um jogador aleatório daquela posição.

O assistente técnico tinha 2 problemas principais. O primeiro é que ele levava em consideração o momento de fechamento do mercado, e não as escalações das partidas. Portanto, se você escalou um jogador que não estava como provável mas ele acabou jogando, o assistente técnico teria substituído esse jogador do seu time e você ainda corria o risco do substituto nem jogar. O segundo problema é que você não definia o jogador substituto, você definia o time de preferência, e a escolha do assistente era aleatória.

Dito isso, a ideia do banco de reservas é parecida. O primeiro ponto a destacar é que seria uma ferramenta OPCIONAL, assim como era o assistente técnico. Usa quem quer. Nessa ferramenta, você escalaria no banco 1 jogador de cada posição (1 goleiro, 1 lateral, 1 zagueiro, 1 meia e 1 atacante). Além disso, você definiria um vice-capitão, dessa forma, se o capitão não jogar, o vice-capitão assume a braçadeira de capitão e tem a sua pontuação dobrada.

O segundo ponto a destacar é que você não usaria nenhum centavo para escalar os jogadores do banco de reservas. Porém, para ele entrar no lugar do desfalque, ele não pode ser mais caro do que esse desfalque. Ou seja, é como se você tivesse usando as cartoletas do desfalque para comprar o substituto. Justo, né?

Você ordenaria os substitutos de preferência com quem você gostaria que entrasse primeiro em caso de algum desfalque. Porém, tenha em mente que para o substituto entrar, o esquema tático precisa ser respeitado.

Importante: ao contrário do assistente técnico, o banco de reservas levaria em consideração a ficha técnica do jogo e só substituiria um desfalque. Vale destacar que um desfalque é um jogador que não entrou em campo. Caso um jogador do seu time tenha começado no banco de reservas e entrado no decorrer da partida, ele NÃO é considerado um desfalque, afinal, você não reclamaria se esse jogador desse uma de Haaland e marcasse 3 gols em 15 minutos, né?

Exemplos de como funcionaria na prática

Digamos que você escalou seu time no 4-3-3 e que você tenha colocado a ordem do seu banco da seguinte forma: Atacante, Meia, Lateral, Zagueiro e Goleiro.

Caso 1
Desfalques: 1 zagueiro não jogou.
Substituições: entraria o zagueiro no lugar, mantendo a formação 4-3-3.

Caso 2
Situação: 1 atacante do seu time começou na reserva e entrou no decorrer do jogo.
Desfalques: 0
Substituições: nenhuma

Caso 3
Situação: Seu capitão era um meia, seu vice-capitão um atacante.
Desfalques: 1 meia (seu capitão) não jogou.
Substituições: Entraria o meia substituto, e o capitão seria o atacante selecionado como vice-capitão.

Caso 4
Desfalques: 1 atacante e 1 lateral do time titular não jogaram.
Substituições: Nesse caso, apesar do meia ser o segundo na ordem de preferência do banco, ele não pode entrar no lugar do lateral, pois inviabilizaria o esquema tático. Assim, entrariam o atacante e o lateral do banco de reservas.

Caso 5
Desfalques: 2 atacantes do time titular não jogaram.
Substituições: Nesse caso, entrariam o atacante e o meia, e sua formação final seria 4-4-2.

Caso 6
Desfalques: 2 meias não jogaram.
Substituições: Nesse caso, só entraria 1 meia e você teria um desfalque obrigatoriamente, porque todos os outros jogadores disponíveis do banco de reservas (goleiro, zagueiro, lateral e atacante) iriam resultar em um esquema tático que não existe no Cartola: se entrassem 1 meia e 1 atacante, seria um 4-2-4. Se entrassem 1 meia e 1 zagueiro, seria um 5-2-3. E se entrassem 1 meia e 1 lateral, você teria 3 laterais e 2 meias na equipe titular. No entanto, caso a sua formação titular fosse o 4-4-2 e você tivesse 2 meias como desfalques, entrariam 1 atacante e 1 meia, e sua formação final seria 4-3-3 sem nenhum desfalque.

Caso 7
Desfalques: 1 atacante, 1 zagueiro e 1 goleiro não jogaram.
Substituições: Nesse caso, entrariam 1 atacante e 1 zagueiro do banco de reservas. O goleiro seria desfalque, pois o máximo de substituições permitidas são 2.

Como disse anteriormente, em 12 anos de cartola, NUNCA tive mais de 2 desfalques no meu time. Para o cartoleiro competente, é mais fácil ganhar na mega-sena do que ter mais de 2 desfalques na rodada. Porém, para o cartoleiro sortudo, isso acontece com alguma frequência, e caso não houvesse limite, o banco de reservas deixaria ele mais acomodado ainda.

Resumo do Banco de Reservas

Funcionalidades

  • Escala 5 jogadores (1 goleiro, 1 lateral, 1 zagueiro, 1 meia, 1 atacante) e define um vice-capitão.
  • Ordena os substitutos por ordem de preferência.
  • Substitui, no máximo, 2 desfalques (jogador que não entrou em campo), desde que o esquema tático seja respeitado e que o substituto seja mais barato que o desfalque.
  • Caso o capitão não jogue, o vice-capitão assumiria a braçadeira e teria a sua pontuação dobrada.

Vantagens

  • É opcional. Dessa forma, todos continuarão escalando o time titular com 11 jogadores mais o técnico. Porém, quem quiser pode usar o banco para se precaver.
  • Não interfere no patrimônio, pois nenhum centavo é usado para escalar o jogador reserva. No entanto, para o reserva substituir, ele precisa ser mais barato que o jogador titular, ou seja, é como se você usasse as cartoletas do titular para comprar o reserva.
  • Ao contrário do assistente técnico, no banco de reservas você escolhe exatamente quem você quer que seja o jogador substituto.

Desvantagens

  • Requer desenvolvimento.

Para finalizar, como bônus gostaria de reforçar o pedido por uma mudança preventiva que já foi pedida algumas vezes, já melhorou um pouco, mas tem potencial para melhorar ainda mais.

Antigamente o mercado fechava 2 horas antes do mercado fechar, e a partir de 2020 passou a fechar 1 hora antes do mercado fechar, o que já ajudou bastante.

Porém, os times parecem que esperam o mercado fechar para divulgar as escalações. Portanto, o ideal seria que o mercado fechasse 20 minutos antes do primeiro jogo da rodada, pois a essa altura, já se sabe as escalações dos times que vão jogar primeiro, e provavelmente já foram publicadas mais informações sobre os times que irão jogar no dia seguinte.

O fato de você ter lido até aqui mostra que você é um cartoleiro competente e que quer participar dos debates que envolvem as mudanças do Cartola FC.

Você curtiu a novidade do banco de reservas? Qual o formato ideal para você? Deixe o seu comentário!



Forte abraço,
Felipe Melo

Um dos idealizadores do CartolaFC Mix. Soteropolitano, angolano, brasileiro. Louco por futebol e sempre de bom humor, afinal, um dia sem rir é um dia perdido. No cartola, comanda o Oloko Mito.