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A revolução do futebol alemão

Lembro-me de ter lido numa revista esportiva no ano passado uma matéria que falava sobre o investimento econômico que a Alemanha havia feito no futebol na última década. Após uma Eurocopa desastrosa em 2000, a Federação Alemã de Futebol (“a CBF de lá”), juntamente com a Liga Nacional que organiza a Bundesliga, resolveram tomar medidas para […]

Postado em: 9 de julho de 2014
Atualização: 8 de junho de 2016
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Tempo de leitura: 2 minutos

Lembro-me de ter lido numa revista esportiva no ano passado uma matéria que falava sobre o investimento econômico que a Alemanha havia feito no futebol na última década. 

Após uma Eurocopa desastrosa em 2000, a Federação Alemã de Futebol (“a CBF de lá”), juntamente com a Liga Nacional que organiza a Bundesliga, resolveram tomar medidas para mudar o futebol nacional. 

O principal foco era na formação de novos jogadores. De lá pra cá, mais de R$1,4 bilhão foram gastos só em divisões de base dos times.

Algumas das medidas que foram tomadas:

– Para disputar a 1ª e 2ª divisão da Liga Nacional, os clubes teriam que ter academias formadoras de jovens jogadores (nossa categorias de base).
– Em parceria com escolas, a Federação criou vários centros de treinamentos para crianças abaixo de 14 anos. Depois dos 14 anos, os jovens têm acesso às academias dos clubes.
– Os gastos dos clubes passaram a ser monitorados. Criou-se uma filosofia de não gastar mais do que se ganha.
– Técnicos foram mandados para outros países para aprender outras culturas futebolísticas. Criou-se uma Federação Nacional de Técnicos.

Em 2006, eles sediaram a Copa. Melhoraram as Arenas. Resgataram o amor do alemão pelo futebol.

Foi um planejamento absurdo. Da seleção atual, 90% dos jogadores surgiram dessas academias de clubes para jovens que foram criadas.

O campeonato alemão é o que possui a maior média de público do mundo. Nos jogos do Borussia, quase 14% dos moradores da cidade vão para o estádio. A final da Champions no ano passado foi disputada entre dois clubes alemães. Em 2002 a Alemanha foi vice. Em 2006 e 2010, ficou em 3º. E agora, em 2014, está na final. São os frutos do que foi plantado há muito tempo.

É muito fácil depois da derrota sair criticando tudo, achando que está tudo errado. Uma derrota na SEMIFINAL não é o fim do mundo. Mas abre brechas para mudanças significativas.

Muita coisa no futebol brasileiro precisa ser repensada. No Brasil, o cara pode ser um PELÉ do futebol, mas se não tiver empresário, não adianta. Pra tentar ser jogador, tem que ir num peneirão, com outras 1000 crianças, tentar a sorte. 5 são escolhidas e olhe lá. Ninguém nem passa a bola.

Sempre fomos conhecidos pelo futebol bonito, alegre. A ousadia e o talento do nosso futebol não morreu. Você olha pra nossa Seleção (não desmerecendo os demais jogadores), mas só tem um jogador que desconcerta no drible. Você vai numa periferia, tem centenas de moleques que te deixam sentado se você for tentar roubar a bola deles. Tem muito craque Brasil afora. Falta oportunidade.

Tem que fazer algo parecido com o que a Alemanha fez; criar centros de treinamentos públicos, organizar campeonatos municipais. Enfim, dar oportunidade a quem merece.

Mas num país em que dinheiro investido em esporte é considerado como dinheiro jogado fora por boa parte da população, fica difícil acreditar em alguma mudança. Mas vale a pena refletir sobre o assunto.

Por Felipe Melo

Um dos idealizadores do CartolaFC Mix. Soteropolitano, angolano, brasileiro. Louco por futebol e sempre de bom humor, afinal, um dia sem rir é um dia perdido. No cartola, comanda o Oloko Mito.

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