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A culpa não foi só do Tiki-Taka…

Excesso de confiança. Arrogância. Falta de humildade. Defina como quiser. Mas a Espanha se enquadra em qualquer uma dessas três definições. Desde o ano passado, quando desembarcaram no Brasil para a Copa das Confederações, a campeã do mundo de 2010 demonstrava um certo deboche. Lembro-me que, no dia da chegada, perguntaram ao meia David Silva […]

Postado em: 18 de junho de 2014
Atualização: 8 de junho de 2016
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Tempo de leitura: 2 minutos

Excesso de confiança. Arrogância. Falta de humildade.

Defina como quiser. Mas a Espanha se enquadra em qualquer uma dessas três definições.

Desde o ano passado, quando desembarcaram no Brasil para a Copa das Confederações, a campeã do mundo de 2010 demonstrava um certo deboche. Lembro-me que, no dia da chegada, perguntaram ao meia David Silva se o fato da Copa ser disputada no Brasil poderia afetar o desempenho da Espanha. E a resposta dele me surpreendeu:

– A Espanha é a favorita, mas Brasil e Itália também estão na competição. É bom estar atento.

Tudo bem. Eles ganharam o Mundial em 2010, assim como a Eurocopa em 2012. Mas não vamos nos esquecer que a Espanha é uma seleção “recente”, começou a se destacar neste milênio. Já o Brasil… então é preciso ter muita confiança para chegar no país do maior campeão mundial para disputar um torneio e se declarar como favorito.

E não foi só isso. Quem não lembra das farras que ocorreram no hotéis em que se hospederam em Recife e em Fortaleza? Pagode, bebedeira, strip-poker, prostitutas…

O futebol parecia não estar em primeiro plano. Os jogadores chegaram ao país achando que seria fácil, e acabaram sendo dominados pelo Brasil na final, perdendo por 3 a 0.

E, em 2014, não foi diferente. O excesso de confiança atrapalhou.

Assim que cheguei na Arena Fonte Nova, na sexta-feira passada, para assistir Espanha x Holanda, os torcedores espanhóis cantavam:

♪♪”somos los mejores del mundo, somos los mejores del mundo”♪♪

Após o jogo, no entanto, as expressões eram bem diferentes. Desolados, calados e nervosos. Tristes com o resultado, calados pela festa dos Holandeses e nervosos com tantos passes e poucas chances. Os espanhóis não acreditavam no que havia acontecido.

O tiki-taka encantou o mundo inteiro nos últimos anos. Parecia impossível derrotar o Barcelona e a Espanha. Mas o futebol evolui a cada ano. Os treinadores são pagos para estudarem as táticas adversárias e encontrarem alternativas. E foi isso que aconteceu. Aprenderam a jogar contra o tiki-taka. Aprenderam a derrotar o tiki-taka.

O Barcelona foi massacrado pelo Bayern na Liga dos Campeões 12/13. A Espanha foi dominada pelo Brasil na Copa das Confederações em 2013. O Bayern provou do próprio veneno e foi massacrado pelo Real Madrid na Liga dos Campeões 13/14.

E, agora, a Espanha foi massacrada pela Holanda, e superada pelo Chile. Em 2 jogos, sofreu 7 gols e marcou apenas 1 (de pênalti). O que mostra a falta de objetividade do estilo que parece estar ultrapassado. Mesmo perdendo, os jogadores parecem querer fazer gol entrando com bola e tudo; chutes de fora da área são raríssimos.

De forma bem geral, enfrentar o tiki-taka é “simples”: pressione a saída de bola e entre em campo com jogadores rápidos para puxarem o contra-ataque. O Barcelona sofreu com Robben e Ribery. A Espanha sofreu com Marcelo, Daniel Alves, Neymar e Huk. O Bayern sofreu com Cristiano Ronaldo e Bale. E, em 2014, a Espanha sofreu com Robben, no jogo contra a Holanda, e com Vargas e Sanchez, no jogo contra o Chile.

Mas não vamos nos enganar. A culpa não foi só do tiki-taka. O vexame da Copa 2014 vai além disso. Foi reflexo do nariz empinado que tanto os jogadores como os torcedores demonstraram desde o ano passado.

Espanha, um pouco de humildade não faz mal a ninguém. ADÍOS!

Por Felipe Melo

Um dos idealizadores do CartolaFC Mix. Soteropolitano, angolano, brasileiro. Louco por futebol e sempre de bom humor, afinal, um dia sem rir é um dia perdido. No cartola, comanda o Oloko Mito.